Mostrar mensagens com a etiqueta Toponímia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Toponímia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 5 de julho de 2012

(19) Dos Urales ou dos Urais?

Deve haver algum cuidado na tradução de alguns textos, como o do nº de Julho relativo à "Coruja dos Urales". Obviamente que numa pesquisa "informal" no Google, detecta-se que a designação também se pode usar em português mas julgo, que o prestígio e a qualidade editorial da NG merecem toda a atenção e que, por isso, na edição portuguesa, se devem usar, sempre, as designações em português, como no caso, deveria ter sido "Coruja dos Urais [leitor identificado]
  
Sobre a polémica “Urales” versus “Urais”, utilizamos desde o nosso primeiro número a versão “Urales”. Este é um caso em que o singular não oferece dúvidas. Ural é aceite sem controvérsia, como se confirma pelo nome do rio Ural. No entanto, no plural (Urales, como no exemplo destacado pelo leitor em montes Urales) é usual o erro quando se opta por Urais. Se o termo fosse popular ou se tivesse sido popularizado por uso excessivo, poder-se-ia transigir com o erro e até legitimá-lo se os linguistas assim o determinassem. Porém, não é isso que sucede, mesmo que alguns dicionário registem as duas formas.
Urales é correcto e Urais incorrecto. Assim mesmo se pronuncia Peixoto da Fonseca, consultor do Ciberdúvidas, considerando Urais uma forma antiga que José Pedro Machado mencionava no seu “Dicionário Onomástico da Língua Portuguesa”. O consultor justifica a sua opção por Urales, com origem no singular francês Oural. Não se tratando de um termo vernáculo cuja evolução possa etimologicamente deduzir-se por analogia com termos semelhantes (por ex. singular qual, plural quales, quaes (queda da consoante intervocálica), quais (prevalência da sonoridade do ditongo ai), o plural será Urales, muito naturalmente.
Hélder Guégués, no seu blogue “letratura”, pronuncia-se de modo idêntico. “O Grande Dicionário de Cândido de Figueiredo” e “O Vocabulário Ortográfico de Rebelo Gonçalves” (obras de consulta preferidas durante muitos anos por revisores de imprensa)  registam Urales. O mesmo sucede no “Dicionário Prático Lello Ilustrado” e na generalidade dos prontuários ortográficos publicados.
Terminamos, dizendo que as línguas são dinâmicas e que o uso de um topónimo errado só poderá justificar-se em caso de generalização continuada. Não é o caso.



terça-feira, 27 de setembro de 2011

(12) Peru e Turquia?

Os ingleses chamam Turquia à ave que nós tratamos por peru, o nome de outro país? Como se explicam esses nomes tão diferentes?

Socorremo-nos da pesquisa de Matthew Shirts, jornalista norte-americano radicado há várias décadas no Brasil, director da edição brasileira da National Geographic e autor do excelente “O Jeitinho Americano” (Realejo, 2010. Pg. 153-155). O peru é uma ave das Américas, domesticada provavelmente pelos aztecas e trazida para a Europa pelos conquistadores espanhóis. Durante o período colonial do Brasil, ela era conhecida como galinha do Peru por ser oriunda deste país sul-americano. Por simplificação, foi ficando conhecida apenas como peru.
Em contrapartida, os ingleses só tinham acesso à ave através dos comerciantes do Mediterrâneo Oriental. Rapidamente ganhou o nome vernacular de galinha da Turquia por ser essa a nacionalidade dos seus mercadores. Por simplificação também, ali ficou celebrizada como “turkey”. Curiosamente, na Índia, mais próxima da Turquia, ela é igualmente conhecida como “peru”, provavelmente por efeito da convivência cultural com os portugueses. Charles Dickens terá dado o golpe final na celebrização da ave, ao incluí-la como iguaria principal dos seus contos de Natal.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

(10) Buçaco e Bussaco

Qual é a designação correcta: Bussaco ou Buçaco?

Embora ambas sejam aceitáveis e estejam expressas em painéis informativos oficiais ao longo da subida em direcção ao Palácio, a mais correcta é Buçaco. É a fórmula utilizada por exemplo no Decreto-Lei n.º 120/2009, de 19 de Maio, que constituiu a Fundação Mata do Buçaco, a entidade que gere agora a mata e os monumentos ali inseridos. A explicação para as duas grafias é bastante prosaica. A maioria das línguas dos turistas que visitam o local não tem o "c" cedilhado, pelo que estes seriam tentados a ler o nome da região como "Bu-Ca-Co". Convencionou-se então que, para facilitar a dicção, se aceitaria também a grafia "Bussaco", essa sim, inconfundível e lida de maneira uniforme em português, inglês, espanhol ou francês.