Porque usam pontos a marcar os milhares nos números inteiros?
A Norma Portuguesa n.º 9/2006, do Instituto Português de Qualidade, determina a colocação correcta dos “pontos” e das “vírgulas” nos números inteiros e decimais, corroborando a velhinha Portaria 6409, de 23 de Setembro de 1929.
Não é a primeira vez que leitores da NG nos alertam para a irregularidade em que incorremos quando grafamos números inteiros separando os milhares por “pontos”.
Não se deve o nosso procedimento à ignorância de normas que regem tal matéria. Fazemo-lo deliberadamente, optando por um mal menor que evita males maiores.
Ao colocarmos “pontos” de sinalização dos milhares, o número surge como um todo indissociável que impossibilita fracturas na translineação, o que inevitavelmente aconteceria se existissem espaços de separação. Tal desacerto, além de incorrecto e inestético, revelaria da nossa parte uma flagrante desatenção.
Conquanto a paginação final seja criteriosamente revista, uma simples correcção que julguemos imperativa pode alterar fins de linha que provoquem o descalabro referido. – JLB
segunda-feira, 9 de maio de 2011
segunda-feira, 3 de maio de 2010
(6) Tufão e furacão
Vejo nas notícias referências a "tufões"e "furacões". Qual é a diferença entre ambos?
Ambos os termos referem-se a ciclones tropicais, ou seja, a tempestades provocadas por sistemas de baixa pressão, marcadas por chuvadas e ventos fortes e com origem no oceano. Na tradição portuguesa, seguida igualmente em Espanha, cada um dos termos aplica-se de acordo com a região oceanográfica em que os fenómenos têm lugar. O "tufão" é o ciclone tropical que tem lugar no oceano Pacífico e a palavra terá tido origem num monstro da mitologia grega capaz de gerar ventos quentes. O "furacão" é o termo utilizado para os ciclones tropicais do oceano Atlântico. O termo será um aportuguesamento de Huracán, uma divindade das culturas meso-americanas.
A revista segue esta norma genérica, embora alguns especialistas entendam que pode existir uma especificação mais precisa dos fenómenos, consoante a sua localização. Ao abrigo dessa nomenclatura, teríamos então:
Furacão – Atlântico Norte, Pacífico Nordeste e Pacífico Sul
Tufão – Pacífico Noroeste
Ciclone tropical severo – Pacífico Sudoeste e Índico Sudeste
Tempestade ciclónica severa – Índico Norte
Ciclone tropical – Índico Sudoeste
Ambos os termos referem-se a ciclones tropicais, ou seja, a tempestades provocadas por sistemas de baixa pressão, marcadas por chuvadas e ventos fortes e com origem no oceano. Na tradição portuguesa, seguida igualmente em Espanha, cada um dos termos aplica-se de acordo com a região oceanográfica em que os fenómenos têm lugar. O "tufão" é o ciclone tropical que tem lugar no oceano Pacífico e a palavra terá tido origem num monstro da mitologia grega capaz de gerar ventos quentes. O "furacão" é o termo utilizado para os ciclones tropicais do oceano Atlântico. O termo será um aportuguesamento de Huracán, uma divindade das culturas meso-americanas.
A revista segue esta norma genérica, embora alguns especialistas entendam que pode existir uma especificação mais precisa dos fenómenos, consoante a sua localização. Ao abrigo dessa nomenclatura, teríamos então:
Furacão – Atlântico Norte, Pacífico Nordeste e Pacífico Sul
Tufão – Pacífico Noroeste
Ciclone tropical severo – Pacífico Sudoeste e Índico Sudeste
Tempestade ciclónica severa – Índico Norte
Ciclone tropical – Índico Sudoeste
terça-feira, 17 de novembro de 2009
(5) Minas anti-pessoal versus minas pessoais
Já vi na sua revista referências indiscriminadas a minas terrestres, minas pessoais e minas anti-pessoal. Na imprensa escrita, aparece também minas antipessoais. Qual vale?
Respondemos com apoio do leitor José João Roseira Coelho, ex-oficial sapador do exército português, que nos remeteu uma exposição sobre o tema.
De acordo com o Manual de Minas e Armadilhas da Direcção da Arma de Engenharia (1965), uma mina é um engenho constituído por um explosivo ou outra substância, contido num recipiente adequado destinado a destruir ou avariar viaturas, barcos ou aviões ou a matar, ferir ou incapacitar pessoal.
Na tipologia das minas, temos:
- Minas anti-carro – destinadas a destruir ou avariar carros de combate.
- Minas anti-viatura – destinadas a destruir ou avariar outros veículos terrestres.
- Minas anti-anfíbios – destinadas a impedir operações de desembarque.
- Minas anti-aerotransportados – destinadas a evitar ou impedir o desembarque de aerotransportados.
- Minas anti-pessoal – destinadas a matar, ferir ou incapacitar pessoal. São as minas de sopro, de fragmentação, de salto e fragmentação ou de fragmentação dirigida, correspondentes às Anti-personnel landmines (ing.), Minas antipersonal ou às minas contra personal (castelhano).
Todas elas podem ainda ser:
- Minas improvisadas – construídas com materiais disponíveis.
- Minas inertes – cópias exactas de minas de série usadas para fins de instrução.
- Minas simuladas – destinadas à montagem de campos de minas simulados.
- Minas de prática – para uso em treinos, produzindo fumos ou ruído quando accionadas.
Como se pode concluir, ao contrário do que se passa com uma arma pessoal (individual weapon), as minas não têm nada de pessoal. Nem são de uso individual nem se destinam a atingir um único indivíduo. Em minha opinião, é um enorme absurdo falar em minas pessoais!
Pegou, há uns anos, a moda de dizer, como plural de mina anti-pessoal, minas anti-pessoais! Apesar de muitas polémicas sobre o assunto, parece-me não haver motivos para duvidar de que o plural deve ser minas anti-pessoal. Do mesmo modo, não passa pela cabeça de ninguém dizer que o plural de repartição de pessoal é repartições de pessoais. (Neste caso, pessoal é um substantivo colectivo e não um adjectivo no singular/plural). A língua portuguesa está cheia de... armadilhas, mas a ignorância, por vezes, faz mais estragos do que muitas minas anti-pessoal!
Respondemos com apoio do leitor José João Roseira Coelho, ex-oficial sapador do exército português, que nos remeteu uma exposição sobre o tema.
De acordo com o Manual de Minas e Armadilhas da Direcção da Arma de Engenharia (1965), uma mina é um engenho constituído por um explosivo ou outra substância, contido num recipiente adequado destinado a destruir ou avariar viaturas, barcos ou aviões ou a matar, ferir ou incapacitar pessoal.
Na tipologia das minas, temos:
- Minas anti-carro – destinadas a destruir ou avariar carros de combate.
- Minas anti-viatura – destinadas a destruir ou avariar outros veículos terrestres.
- Minas anti-anfíbios – destinadas a impedir operações de desembarque.
- Minas anti-aerotransportados – destinadas a evitar ou impedir o desembarque de aerotransportados.
- Minas anti-pessoal – destinadas a matar, ferir ou incapacitar pessoal. São as minas de sopro, de fragmentação, de salto e fragmentação ou de fragmentação dirigida, correspondentes às Anti-personnel landmines (ing.), Minas antipersonal ou às minas contra personal (castelhano).
Todas elas podem ainda ser:
- Minas improvisadas – construídas com materiais disponíveis.
- Minas inertes – cópias exactas de minas de série usadas para fins de instrução.
- Minas simuladas – destinadas à montagem de campos de minas simulados.
- Minas de prática – para uso em treinos, produzindo fumos ou ruído quando accionadas.
Como se pode concluir, ao contrário do que se passa com uma arma pessoal (individual weapon), as minas não têm nada de pessoal. Nem são de uso individual nem se destinam a atingir um único indivíduo. Em minha opinião, é um enorme absurdo falar em minas pessoais!
Pegou, há uns anos, a moda de dizer, como plural de mina anti-pessoal, minas anti-pessoais! Apesar de muitas polémicas sobre o assunto, parece-me não haver motivos para duvidar de que o plural deve ser minas anti-pessoal. Do mesmo modo, não passa pela cabeça de ninguém dizer que o plural de repartição de pessoal é repartições de pessoais. (Neste caso, pessoal é um substantivo colectivo e não um adjectivo no singular/plural). A língua portuguesa está cheia de... armadilhas, mas a ignorância, por vezes, faz mais estragos do que muitas minas anti-pessoal!
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
(4) Impacto ou impacte
A questão é velha, a solução é simples, mas a dúvida continua a subsistir. Normalmente pretende-se que prevaleça, por ignorância, o termo “impacto” em vez de “impacte”. Tem havido um esforço, por parte dos indivíduos que mais lidam com a língua, como os revisores, em fazer vingar a forma comum que entendem por mais correcta: “impacte”. Habitualmente surge, já quase sem contestação, a expressão “impacte ambiental”.
O uso de “impacto” como forma mais aportuguesada, com justificação de que em português não existem palavras terminadas em “cte”, não pode ser tomado em consideração, pois há palavras legítimas de terminação única e que são portuguesíssimas (ex.: cinza, índia).
Profissionais que lidam com a língua portuguesa e que devem corrigir o que está errado estabelecem por vezes deduções incorrectas como método de trabalho: “impacte” tomado como embate psicológico e “impacto” usado como embate físico; ou “impacte” como efeito ou consequência e “impacto” como o acto ou colisão.
Em analogia com “controle” e “controlo”, há quem considere “impacto” e “impacte” sinónimos, com base em alguns dicionários contemporâneos. É certo que o povo faz a língua e muitas vezes dando persistência e consistência ao erro. Para que tal suceda, só linguistas estudiosos o poderão legitimar.
Chegando a este ponto, a legitimação, aqui reside a maior justificação. O "Vocabulário Ortográfico" de Rebelo Gonçalves continua ser a “bíblia” que esclarece muitas dúvidas e confusões. O mesmo se poderá dizer do "Grande Dicionário" de Cândido de Figueiredo (o primitivo, em dois volumes, da Bertrand, e não a sua reedição, pretensamente actualizada). Aí sim, valem-nos dois estudiosos de craveira que se dedicaram exaustivamente à língua portuguesa. Para um e para outro, a destrinça é simples:
“impacte” é substantivo; “impacto” é adjectivo. É tudo quanto basta para uma utilização correcta.
Exemplos:
Foi feito o estudo de impacte ambiental.
Prevendo-se a colisão, os cientistas estiveram atentos ao momento do impacte.
É enorme a cratera de impacte.
O projéctil disparado ficou impacto no alvo.
O dardo impacto no solo fora lançado de grande distância.
O problema e a sua solução foram impactos na sua cabeça após erros e repetições constantes.
Como se pode observar, “impacto” é usado também como adjectivo verbal ou particípio passado irregular de “impactar” com os verbos auxiliares “ser”, “estar”, “ficar” e “manter”. Se os verbos auxiliares forem “ter” ou “haver”, o particípio passado obedece à forma regular “impactado”.
Na maioria dos casos, a forma mais usual acaba por ser “impacte” (substantivo) e não “impacto” (adjectivo), pois esta raramente é utilizada. – JLB
O uso de “impacto” como forma mais aportuguesada, com justificação de que em português não existem palavras terminadas em “cte”, não pode ser tomado em consideração, pois há palavras legítimas de terminação única e que são portuguesíssimas (ex.: cinza, índia).
Profissionais que lidam com a língua portuguesa e que devem corrigir o que está errado estabelecem por vezes deduções incorrectas como método de trabalho: “impacte” tomado como embate psicológico e “impacto” usado como embate físico; ou “impacte” como efeito ou consequência e “impacto” como o acto ou colisão.
Em analogia com “controle” e “controlo”, há quem considere “impacto” e “impacte” sinónimos, com base em alguns dicionários contemporâneos. É certo que o povo faz a língua e muitas vezes dando persistência e consistência ao erro. Para que tal suceda, só linguistas estudiosos o poderão legitimar.
Chegando a este ponto, a legitimação, aqui reside a maior justificação. O "Vocabulário Ortográfico" de Rebelo Gonçalves continua ser a “bíblia” que esclarece muitas dúvidas e confusões. O mesmo se poderá dizer do "Grande Dicionário" de Cândido de Figueiredo (o primitivo, em dois volumes, da Bertrand, e não a sua reedição, pretensamente actualizada). Aí sim, valem-nos dois estudiosos de craveira que se dedicaram exaustivamente à língua portuguesa. Para um e para outro, a destrinça é simples:
“impacte” é substantivo; “impacto” é adjectivo. É tudo quanto basta para uma utilização correcta.
Exemplos:
Foi feito o estudo de impacte ambiental.
Prevendo-se a colisão, os cientistas estiveram atentos ao momento do impacte.
É enorme a cratera de impacte.
O projéctil disparado ficou impacto no alvo.
O dardo impacto no solo fora lançado de grande distância.
O problema e a sua solução foram impactos na sua cabeça após erros e repetições constantes.
Como se pode observar, “impacto” é usado também como adjectivo verbal ou particípio passado irregular de “impactar” com os verbos auxiliares “ser”, “estar”, “ficar” e “manter”. Se os verbos auxiliares forem “ter” ou “haver”, o particípio passado obedece à forma regular “impactado”.
Na maioria dos casos, a forma mais usual acaba por ser “impacte” (substantivo) e não “impacto” (adjectivo), pois esta raramente é utilizada. – JLB
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
(3) Dinossauros e dinossáurios
Venho pedir-lhe que de futuro na vossa conceituada revista não se torne a escrever SAURO, por estar errado, em vez de SÁURIO.
É vulgar encontrar-se escrito em jornais e livros, até por pessoas com responsabilidade no assunto, SAURO em vez de sáurio. Consultando o Novíssimo Diccionário Latino-Portuguez de F. R. dos Santos Saraiva, 7ª edição, 1910, verifica-se na página 1066 Saura, ae ( do g. saura). Espécie de lagarto (réptil). E saurus, i ( do g. sauros) peixe desconhecido e os dicionários de José Pedro Machado, 1981, e da Academia das Ciências de Lisboa, 2001, o ÚNICO nome que registam é SÁURIO. Será que estes dicionários estão errados? – Leitor identificado
O tema linguístico que nos coloca foi debatido desde o nosso primeiro número e, de certa forma, expressa a tensão entre as necessidades dos cientistas e a prática quotidiana da língua, que por vezes desvirtua pelo uso uma expressão.
Não cremos que "dinossauros" e "dinossáurios" se excluam, nem nos parece que o recurso à autoridade científica como árbitro da questão possa solucionar o caso, sobretudo quando uma comunidade linguística adoptou genuinamente um termo e o divulga diariamente.
A origem da controvérsia assenta nos dois termos latinos Dinosauria (que define a subclasse) e Dinosaurus (que determina o género), cujo aportuguesamento apressado ditou os "dinossáurios" e "dinossauros". Poder-se-á argumentar a incorrecção de utilizar um nome de género para designar todo um táxon, mas o uso continuado de "dinossauros" não se limitou a Portugal. Em França e Inglaterra, "dinosaur" e "dinosaure" são muito mais correntes do que "dinosaurian" e "dinosaurien", como notou aliás o professor Mendes da Costa. E basta pensar no exemplo da ordem dos cetáceos, muitos dos quais designados popularmente por "baleias", mesmo quando a esmagadoria
maioria das espécies não pertence ao género Balaena.
O nosso livro de estilo estipula que "dinossauros" é utilizado correntemente para designar todos os animais deste grupo, excepto nos casos em que se pretenda definir especificamente o táxon Dinosauria - altura em que "dinossáurios" será naturalmente preferível.
A título de complemento às obras que citou, note que o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2005) aceita ambas, referindo que "dinossauros" é o termo mais fluente. E o Dicionário da Língua Portuguesa (1995), da Porto Editora, que contou, na área da geologia, com a colaboração dos professores catedráticos Frederico Sodré Borges e Carlos Teixeira, aceita apenas "dinossauros", excluindo qualquer variante.
É vulgar encontrar-se escrito em jornais e livros, até por pessoas com responsabilidade no assunto, SAURO em vez de sáurio. Consultando o Novíssimo Diccionário Latino-Portuguez de F. R. dos Santos Saraiva, 7ª edição, 1910, verifica-se na página 1066 Saura, ae ( do g. saura). Espécie de lagarto (réptil). E saurus, i ( do g. sauros) peixe desconhecido e os dicionários de José Pedro Machado, 1981, e da Academia das Ciências de Lisboa, 2001, o ÚNICO nome que registam é SÁURIO. Será que estes dicionários estão errados? – Leitor identificado
O tema linguístico que nos coloca foi debatido desde o nosso primeiro número e, de certa forma, expressa a tensão entre as necessidades dos cientistas e a prática quotidiana da língua, que por vezes desvirtua pelo uso uma expressão.
Não cremos que "dinossauros" e "dinossáurios" se excluam, nem nos parece que o recurso à autoridade científica como árbitro da questão possa solucionar o caso, sobretudo quando uma comunidade linguística adoptou genuinamente um termo e o divulga diariamente.
A origem da controvérsia assenta nos dois termos latinos Dinosauria (que define a subclasse) e Dinosaurus (que determina o género), cujo aportuguesamento apressado ditou os "dinossáurios" e "dinossauros". Poder-se-á argumentar a incorrecção de utilizar um nome de género para designar todo um táxon, mas o uso continuado de "dinossauros" não se limitou a Portugal. Em França e Inglaterra, "dinosaur" e "dinosaure" são muito mais correntes do que "dinosaurian" e "dinosaurien", como notou aliás o professor Mendes da Costa. E basta pensar no exemplo da ordem dos cetáceos, muitos dos quais designados popularmente por "baleias", mesmo quando a esmagadoria
maioria das espécies não pertence ao género Balaena.
O nosso livro de estilo estipula que "dinossauros" é utilizado correntemente para designar todos os animais deste grupo, excepto nos casos em que se pretenda definir especificamente o táxon Dinosauria - altura em que "dinossáurios" será naturalmente preferível.
A título de complemento às obras que citou, note que o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2005) aceita ambas, referindo que "dinossauros" é o termo mais fluente. E o Dicionário da Língua Portuguesa (1995), da Porto Editora, que contou, na área da geologia, com a colaboração dos professores catedráticos Frederico Sodré Borges e Carlos Teixeira, aceita apenas "dinossauros", excluindo qualquer variante.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
(2) Vigilantes, guardas-florestais e guarda-parques
Durante alguns meses, incorremos no erro de usar indiscriminadamente as expressões "vigilantes da natureza", "guardas-florestais" e "guarda-parques" para designar os funcionários de carreira das áreas protegidas encarregues da vigilância e detecção de delitos ambientais.
A carreira em causa é definida por diferentes termos em vários países. Na tradição britânica, ele é o "ranger"; na norte-americana, o "park ranger"; na sul-africana e noutros países africanos de expressão inglesa, o "game ranger"; na América Latina, é referido como "guarda parques"; em Moçambique, é o "fiscal de parque".
Na verdade, o instrumento legal que regulamenta esta carreira em Portugal (o Decreto-Lei no. 470/99, de 6 de Novembro) é bastante claro e estabelece a prevalência do termo "vigilantes da natureza".
A carreira em causa é definida por diferentes termos em vários países. Na tradição britânica, ele é o "ranger"; na norte-americana, o "park ranger"; na sul-africana e noutros países africanos de expressão inglesa, o "game ranger"; na América Latina, é referido como "guarda parques"; em Moçambique, é o "fiscal de parque".
Na verdade, o instrumento legal que regulamenta esta carreira em Portugal (o Decreto-Lei no. 470/99, de 6 de Novembro) é bastante claro e estabelece a prevalência do termo "vigilantes da natureza".
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
(1) Setas ou flechas
«Gostaria de fazer um correcção à vossa edição de Setembro de 2008.
O artigo "Se as pedras pudessem falar" que fala sobre Stonehenge constante das páginas 20/21 contém a seguinte afirmação:"Foi enterrado em 2400 a.C com utensílios metalúrgicos, uma aljava de setas requintadas ..."
Neste contexto, a palavra correcta a utilizar será "flechas" e não "setas" conforme descrito. Setas destinam-se a sinalizar, a indicar uma determinada direcção pelo que o utensílio (físico) disparado por um arco se deve chamar de flecha.» – Leitor identificado
A expressão consagrada no vocabulário arqueológico português para o artefacto é "seta" - sobretudo no objecto "ponta de seta", expressão na qual a alternativa "ponta de flecha" é inaceitável. Tratando-se de um artigo sobre achados arqueológicos é adequado que se mantenha o uso consistente do vocábulo "seta" e não "flecha".
Ao mesmo tempo, o termo “setas” aplica-se normalmente em associação a aljava, como se pode comprovar por algumas das referências em baixo seleccionadas, retiradas de obras de referência da língua portuguesa.
Aljava – carcás ou estojo em que se metiam as setas, e que se levava ao ombro.
(Dicionário Prático Ilustrado – Lello)
Aljava – carcás para as setas.
(Dicionário Universal da Língua Portuguesa – Texto Editora)
Aljava – coldre ou carcás em que se metiam as setas.
(Dicionário da Língua Portugesa – Porto Editora)
Aljava – coldre ou estojo sem tampa em que se guardavam e transportavam setas, e que era carregado nas costas, pendente do ombro.
(Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
A enciclopédia de Houaiss esclarece também que “flecheiro” é o “indivíduo que arremessa flechas ou setas”. Trata-se portanto de sinónimos, que o próprio Dicionário de Sinónimos da Porto Editora confirma e que praticamente todos os dicionários registam.
Na era moderna, usa-se de facto a expressão “arco e flechas” e não “arco e setas”, que pode ser confirmado por exemplo em regulamentos da Federação Portuguesa de Tiro com Arco. “Flecha” é um termo mais moderno e resulta da nossa tendência para transigir com francesismos (flèche) que acabámos por adoptar.
“Seta” tem origens mais antigas, do latim (sagitta) e daí resultou o termo “seteira”, por exemplo, que são as aberturas estreitas de defesa existentes em fortalezas e que serviam para arqueiros e besteiros se defenderam do cerco inimigo, arremessando setas.
O artigo "Se as pedras pudessem falar" que fala sobre Stonehenge constante das páginas 20/21 contém a seguinte afirmação:"Foi enterrado em 2400 a.C com utensílios metalúrgicos, uma aljava de setas requintadas ..."
Neste contexto, a palavra correcta a utilizar será "flechas" e não "setas" conforme descrito. Setas destinam-se a sinalizar, a indicar uma determinada direcção pelo que o utensílio (físico) disparado por um arco se deve chamar de flecha.» – Leitor identificado
A expressão consagrada no vocabulário arqueológico português para o artefacto é "seta" - sobretudo no objecto "ponta de seta", expressão na qual a alternativa "ponta de flecha" é inaceitável. Tratando-se de um artigo sobre achados arqueológicos é adequado que se mantenha o uso consistente do vocábulo "seta" e não "flecha".
Ao mesmo tempo, o termo “setas” aplica-se normalmente em associação a aljava, como se pode comprovar por algumas das referências em baixo seleccionadas, retiradas de obras de referência da língua portuguesa.
Aljava – carcás ou estojo em que se metiam as setas, e que se levava ao ombro.
(Dicionário Prático Ilustrado – Lello)
Aljava – carcás para as setas.
(Dicionário Universal da Língua Portuguesa – Texto Editora)
Aljava – coldre ou carcás em que se metiam as setas.
(Dicionário da Língua Portugesa – Porto Editora)
Aljava – coldre ou estojo sem tampa em que se guardavam e transportavam setas, e que era carregado nas costas, pendente do ombro.
(Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa)
A enciclopédia de Houaiss esclarece também que “flecheiro” é o “indivíduo que arremessa flechas ou setas”. Trata-se portanto de sinónimos, que o próprio Dicionário de Sinónimos da Porto Editora confirma e que praticamente todos os dicionários registam.
Na era moderna, usa-se de facto a expressão “arco e flechas” e não “arco e setas”, que pode ser confirmado por exemplo em regulamentos da Federação Portuguesa de Tiro com Arco. “Flecha” é um termo mais moderno e resulta da nossa tendência para transigir com francesismos (flèche) que acabámos por adoptar.
“Seta” tem origens mais antigas, do latim (sagitta) e daí resultou o termo “seteira”, por exemplo, que são as aberturas estreitas de defesa existentes em fortalezas e que serviam para arqueiros e besteiros se defenderam do cerco inimigo, arremessando setas.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Gonçalo Pereira (National Geographic) e José Leitão Baptista apresentam Linguagem da Ciência
É um projecto simples e será actualizado à medida da nossa disponibilidade. Cada edição da National Geographic apresenta-nos problemas relacionados com a adaptação de termos científicos à linguagem leiga.
Sem grandes pretensões, este blogue pretende demonstrar os motivos que nos levam a tomar algumas opções terminológicas polémicas, mas sustentadas por bibliografia certificada ou pelo aval de especialistas de cada disciplina.
Não são verdades dogmáticas, por vezes entram até em conflito com os livros de estilo de outras publicações. São apenas as nossas propostas.
Sem grandes pretensões, este blogue pretende demonstrar os motivos que nos levam a tomar algumas opções terminológicas polémicas, mas sustentadas por bibliografia certificada ou pelo aval de especialistas de cada disciplina.
Não são verdades dogmáticas, por vezes entram até em conflito com os livros de estilo de outras publicações. São apenas as nossas propostas.
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