Voltei há pouco da região do Colorado, nos EUA, onde fiquei intrigado com a profusão de "mesas" na geografia local. O que são e a que devem o nome?
A palavra está de facto registada na maior parte dos glossários geológicos, mas a sua aplicação neste contexto parece ter tido origem espanhola e não portuguesa. De todo o modo, "mesa" é utilizada em ambas as línguas.
Em geologia, a mesa é um pequeno planalto, com uma ou mais faces íngremes, mas cujo topo é plano, como o tampo de uma mesa. Formada por erosão, costuma constituir as áreas de rochas mais firmes de um planato, ou seja, aquelas que resistem melhor à força dos elementos.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
(13) Astronautas, cosmonautas e taikonautas
Como se chamam os astronautas oriundos da China?
A aventura chinesa no espaço é muito recente. O país teve de esperar até 2008 para ver dois chineses caminharem no espaço. O governo chinês tem procurado impor a nomenclatura "yuhangyuans", traduzível como "navegadores do espaço", mas a maior parte das publicações de astronomia tem utilizado a expressão "taikonautas" para os designar.
Esta última deriva do prefixo "taikong", que significa "espaço".
Convencionou-se também que os exploradores do espaço oriundos dos EUA seriam conhecidos como "astronautas" e os da URSS (e mais tarde da Rússia) seriam designados como "cosmonautas". "Astronauta" deriva do grego e poderia ser traduzido como "navegador das estrelas", ao passo que os "cosmonautas" seriam os "navegadores do universo".
Sempre ciosos do seu quinhão, os francês têm procurado propor o termo "espacionauta" para os seus exploradores, mas sem sucesso. E há ainda um movimento – até à data não incorporado no livro de estilo da revista – que pretende distinguir os exploradores treinados por governos dos indivíduos que integram voos comerciais ao espaço. Esses últimos seriam conhecidos como "participantes em voos espaciais", segundo a NASA e a Agência Espacial Russa.
A aventura chinesa no espaço é muito recente. O país teve de esperar até 2008 para ver dois chineses caminharem no espaço. O governo chinês tem procurado impor a nomenclatura "yuhangyuans", traduzível como "navegadores do espaço", mas a maior parte das publicações de astronomia tem utilizado a expressão "taikonautas" para os designar.
Esta última deriva do prefixo "taikong", que significa "espaço".
Convencionou-se também que os exploradores do espaço oriundos dos EUA seriam conhecidos como "astronautas" e os da URSS (e mais tarde da Rússia) seriam designados como "cosmonautas". "Astronauta" deriva do grego e poderia ser traduzido como "navegador das estrelas", ao passo que os "cosmonautas" seriam os "navegadores do universo".
Sempre ciosos do seu quinhão, os francês têm procurado propor o termo "espacionauta" para os seus exploradores, mas sem sucesso. E há ainda um movimento – até à data não incorporado no livro de estilo da revista – que pretende distinguir os exploradores treinados por governos dos indivíduos que integram voos comerciais ao espaço. Esses últimos seriam conhecidos como "participantes em voos espaciais", segundo a NASA e a Agência Espacial Russa.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
(12) Peru e Turquia?
Os ingleses chamam Turquia à ave que nós tratamos por peru, o nome de outro país? Como se explicam esses nomes tão diferentes?
Socorremo-nos da pesquisa de Matthew Shirts, jornalista norte-americano radicado há várias décadas no Brasil, director da edição brasileira da National Geographic e autor do excelente “O Jeitinho Americano” (Realejo, 2010. Pg. 153-155). O peru é uma ave das Américas, domesticada provavelmente pelos aztecas e trazida para a Europa pelos conquistadores espanhóis. Durante o período colonial do Brasil, ela era conhecida como galinha do Peru por ser oriunda deste país sul-americano. Por simplificação, foi ficando conhecida apenas como peru.
Em contrapartida, os ingleses só tinham acesso à ave através dos comerciantes do Mediterrâneo Oriental. Rapidamente ganhou o nome vernacular de galinha da Turquia por ser essa a nacionalidade dos seus mercadores. Por simplificação também, ali ficou celebrizada como “turkey”. Curiosamente, na Índia, mais próxima da Turquia, ela é igualmente conhecida como “peru”, provavelmente por efeito da convivência cultural com os portugueses. Charles Dickens terá dado o golpe final na celebrização da ave, ao incluí-la como iguaria principal dos seus contos de Natal.
Socorremo-nos da pesquisa de Matthew Shirts, jornalista norte-americano radicado há várias décadas no Brasil, director da edição brasileira da National Geographic e autor do excelente “O Jeitinho Americano” (Realejo, 2010. Pg. 153-155). O peru é uma ave das Américas, domesticada provavelmente pelos aztecas e trazida para a Europa pelos conquistadores espanhóis. Durante o período colonial do Brasil, ela era conhecida como galinha do Peru por ser oriunda deste país sul-americano. Por simplificação, foi ficando conhecida apenas como peru.
Em contrapartida, os ingleses só tinham acesso à ave através dos comerciantes do Mediterrâneo Oriental. Rapidamente ganhou o nome vernacular de galinha da Turquia por ser essa a nacionalidade dos seus mercadores. Por simplificação também, ali ficou celebrizada como “turkey”. Curiosamente, na Índia, mais próxima da Turquia, ela é igualmente conhecida como “peru”, provavelmente por efeito da convivência cultural com os portugueses. Charles Dickens terá dado o golpe final na celebrização da ave, ao incluí-la como iguaria principal dos seus contos de Natal.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
(11) Quilo ou quilograma?
Pode ser adoptada a versão simplificada “quilo” para a unidade correspondente a 1000 gramas?
Responde Isabel Spohr, do Instituto Português da Qualidade (IPQ), responsável pela área da Metrologia no domínio da Massa e Grandezas Derivadas. Recorde-se que o IPQ enquanto Instituição Nacional de Metrologia, através da Unidade de Metrologia Científica e Aplicada – LCM, garante o rigor e a exactidão das medições realizadas, assegurando a sua comparabilidade e rastreabilidade, a nível nacional e internacional, e a realização, manutenção e desenvolvimento dos padrões das unidades de medida:
“É utilizada [nos meios de comunicação] diversas vezes a palavra “quilo” em vez de quilograma. O que está errado, pois a unidade SI (do Sistema Internacional) da grandeza massa é o quilograma. Embora no dia a dia na mercearia se fale em “quilo”… quilo é apenas um prefixo (de entre outros como Mega, Giga, etc.) utilizado como múltiplo de unidades SI. A unidade de massa é a única cujo nome, por razões históricas, contém um prefixo.”
Recorde-se que o quilograma corresponde à massa de um protótipo internacional – um cilindro – guardado no Gabinete Internacional de Pesos e Medidas (BIPM, na sigla internacional).
Responde Isabel Spohr, do Instituto Português da Qualidade (IPQ), responsável pela área da Metrologia no domínio da Massa e Grandezas Derivadas. Recorde-se que o IPQ enquanto Instituição Nacional de Metrologia, através da Unidade de Metrologia Científica e Aplicada – LCM, garante o rigor e a exactidão das medições realizadas, assegurando a sua comparabilidade e rastreabilidade, a nível nacional e internacional, e a realização, manutenção e desenvolvimento dos padrões das unidades de medida:
“É utilizada [nos meios de comunicação] diversas vezes a palavra “quilo” em vez de quilograma. O que está errado, pois a unidade SI (do Sistema Internacional) da grandeza massa é o quilograma. Embora no dia a dia na mercearia se fale em “quilo”… quilo é apenas um prefixo (de entre outros como Mega, Giga, etc.) utilizado como múltiplo de unidades SI. A unidade de massa é a única cujo nome, por razões históricas, contém um prefixo.”
Recorde-se que o quilograma corresponde à massa de um protótipo internacional – um cilindro – guardado no Gabinete Internacional de Pesos e Medidas (BIPM, na sigla internacional).
(10) Buçaco e Bussaco
Qual é a designação correcta: Bussaco ou Buçaco?
Embora ambas sejam aceitáveis e estejam expressas em painéis informativos oficiais ao longo da subida em direcção ao Palácio, a mais correcta é Buçaco. É a fórmula utilizada por exemplo no Decreto-Lei n.º 120/2009, de 19 de Maio, que constituiu a Fundação Mata do Buçaco, a entidade que gere agora a mata e os monumentos ali inseridos. A explicação para as duas grafias é bastante prosaica. A maioria das línguas dos turistas que visitam o local não tem o "c" cedilhado, pelo que estes seriam tentados a ler o nome da região como "Bu-Ca-Co". Convencionou-se então que, para facilitar a dicção, se aceitaria também a grafia "Bussaco", essa sim, inconfundível e lida de maneira uniforme em português, inglês, espanhol ou francês.
Embora ambas sejam aceitáveis e estejam expressas em painéis informativos oficiais ao longo da subida em direcção ao Palácio, a mais correcta é Buçaco. É a fórmula utilizada por exemplo no Decreto-Lei n.º 120/2009, de 19 de Maio, que constituiu a Fundação Mata do Buçaco, a entidade que gere agora a mata e os monumentos ali inseridos. A explicação para as duas grafias é bastante prosaica. A maioria das línguas dos turistas que visitam o local não tem o "c" cedilhado, pelo que estes seriam tentados a ler o nome da região como "Bu-Ca-Co". Convencionou-se então que, para facilitar a dicção, se aceitaria também a grafia "Bussaco", essa sim, inconfundível e lida de maneira uniforme em português, inglês, espanhol ou francês.
(9) Rei dos belgas ou rei da Bélgica?
Qual é a designação correcta para o monarca belga: rei da Bélgica ou rei dos belgas?
A designação correcta é “rei dos belgas” na medida em que a monarquia daquele país está vinculada aos cidadãos e não ao território ou estado. Desta forma, o monarca belga tem jurisdição constitucional sobre a população mas não sobre o território. No tempo colonial, a Bélgica colocou em prática uma especificidade curiosa, na medida em que Leopoldo II foi rei dos belgas, mas também rei do Congo, assumindo aí jurisdição sobre o território africano.
O historiador Bernardo Sá Nogueira lembra que se trata de uma circunstância semelhante à que ocorria na primeira dinastia da monarquia portuguesa. D. Afonso Henriques e D. Sancho I foram “reis dos portugueses”, sem poder sobre o território, mas D. Afonso II começou a intitular-se “rei de Portugal”, nomenclatura que perdurou.
A designação correcta é “rei dos belgas” na medida em que a monarquia daquele país está vinculada aos cidadãos e não ao território ou estado. Desta forma, o monarca belga tem jurisdição constitucional sobre a população mas não sobre o território. No tempo colonial, a Bélgica colocou em prática uma especificidade curiosa, na medida em que Leopoldo II foi rei dos belgas, mas também rei do Congo, assumindo aí jurisdição sobre o território africano.
O historiador Bernardo Sá Nogueira lembra que se trata de uma circunstância semelhante à que ocorria na primeira dinastia da monarquia portuguesa. D. Afonso Henriques e D. Sancho I foram “reis dos portugueses”, sem poder sobre o território, mas D. Afonso II começou a intitular-se “rei de Portugal”, nomenclatura que perdurou.
(8) Silicone e silício
Tenho visto a palavra “silicon” aplicada à informática traduzida como “silicone” e como “silício”. Qual é a correcta?
A tradução de “silicon” por “silicone” tem sido um erro comum na imprensa – cometido também pela edição portuguesa da National Geographic. – só justificado pela proximidade gráfica das palavras, mas a versão correcta é de facto “silício”.
O silício é um elemento químico. Aliás, é o segundo mais abundante na crosta terrestre. Foi obtido pela primeira vez em 1822 e é muito utilizado em semicondutores.
O silicone é a designação genérica para os polímeros estáveis tanto do ponto de vista térmico como químico. Não há dúvida portanto de que o famoso Silicon Valley da Califórnia deverá sempre ser traduzido por Vale do Silício.
A tradução de “silicon” por “silicone” tem sido um erro comum na imprensa – cometido também pela edição portuguesa da National Geographic. – só justificado pela proximidade gráfica das palavras, mas a versão correcta é de facto “silício”.
O silício é um elemento químico. Aliás, é o segundo mais abundante na crosta terrestre. Foi obtido pela primeira vez em 1822 e é muito utilizado em semicondutores.
O silicone é a designação genérica para os polímeros estáveis tanto do ponto de vista térmico como químico. Não há dúvida portanto de que o famoso Silicon Valley da Califórnia deverá sempre ser traduzido por Vale do Silício.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
(7) Pontos nos milhares e milhões
Porque usam pontos a marcar os milhares nos números inteiros?
A Norma Portuguesa n.º 9/2006, do Instituto Português de Qualidade, determina a colocação correcta dos “pontos” e das “vírgulas” nos números inteiros e decimais, corroborando a velhinha Portaria 6409, de 23 de Setembro de 1929.
Não é a primeira vez que leitores da NG nos alertam para a irregularidade em que incorremos quando grafamos números inteiros separando os milhares por “pontos”.
Não se deve o nosso procedimento à ignorância de normas que regem tal matéria. Fazemo-lo deliberadamente, optando por um mal menor que evita males maiores.
Ao colocarmos “pontos” de sinalização dos milhares, o número surge como um todo indissociável que impossibilita fracturas na translineação, o que inevitavelmente aconteceria se existissem espaços de separação. Tal desacerto, além de incorrecto e inestético, revelaria da nossa parte uma flagrante desatenção.
Conquanto a paginação final seja criteriosamente revista, uma simples correcção que julguemos imperativa pode alterar fins de linha que provoquem o descalabro referido. – JLB
A Norma Portuguesa n.º 9/2006, do Instituto Português de Qualidade, determina a colocação correcta dos “pontos” e das “vírgulas” nos números inteiros e decimais, corroborando a velhinha Portaria 6409, de 23 de Setembro de 1929.
Não é a primeira vez que leitores da NG nos alertam para a irregularidade em que incorremos quando grafamos números inteiros separando os milhares por “pontos”.
Não se deve o nosso procedimento à ignorância de normas que regem tal matéria. Fazemo-lo deliberadamente, optando por um mal menor que evita males maiores.
Ao colocarmos “pontos” de sinalização dos milhares, o número surge como um todo indissociável que impossibilita fracturas na translineação, o que inevitavelmente aconteceria se existissem espaços de separação. Tal desacerto, além de incorrecto e inestético, revelaria da nossa parte uma flagrante desatenção.
Conquanto a paginação final seja criteriosamente revista, uma simples correcção que julguemos imperativa pode alterar fins de linha que provoquem o descalabro referido. – JLB
segunda-feira, 3 de maio de 2010
(6) Tufão e furacão
Vejo nas notícias referências a "tufões"e "furacões". Qual é a diferença entre ambos?
Ambos os termos referem-se a ciclones tropicais, ou seja, a tempestades provocadas por sistemas de baixa pressão, marcadas por chuvadas e ventos fortes e com origem no oceano. Na tradição portuguesa, seguida igualmente em Espanha, cada um dos termos aplica-se de acordo com a região oceanográfica em que os fenómenos têm lugar. O "tufão" é o ciclone tropical que tem lugar no oceano Pacífico e a palavra terá tido origem num monstro da mitologia grega capaz de gerar ventos quentes. O "furacão" é o termo utilizado para os ciclones tropicais do oceano Atlântico. O termo será um aportuguesamento de Huracán, uma divindade das culturas meso-americanas.
A revista segue esta norma genérica, embora alguns especialistas entendam que pode existir uma especificação mais precisa dos fenómenos, consoante a sua localização. Ao abrigo dessa nomenclatura, teríamos então:
Furacão – Atlântico Norte, Pacífico Nordeste e Pacífico Sul
Tufão – Pacífico Noroeste
Ciclone tropical severo – Pacífico Sudoeste e Índico Sudeste
Tempestade ciclónica severa – Índico Norte
Ciclone tropical – Índico Sudoeste
Ambos os termos referem-se a ciclones tropicais, ou seja, a tempestades provocadas por sistemas de baixa pressão, marcadas por chuvadas e ventos fortes e com origem no oceano. Na tradição portuguesa, seguida igualmente em Espanha, cada um dos termos aplica-se de acordo com a região oceanográfica em que os fenómenos têm lugar. O "tufão" é o ciclone tropical que tem lugar no oceano Pacífico e a palavra terá tido origem num monstro da mitologia grega capaz de gerar ventos quentes. O "furacão" é o termo utilizado para os ciclones tropicais do oceano Atlântico. O termo será um aportuguesamento de Huracán, uma divindade das culturas meso-americanas.
A revista segue esta norma genérica, embora alguns especialistas entendam que pode existir uma especificação mais precisa dos fenómenos, consoante a sua localização. Ao abrigo dessa nomenclatura, teríamos então:
Furacão – Atlântico Norte, Pacífico Nordeste e Pacífico Sul
Tufão – Pacífico Noroeste
Ciclone tropical severo – Pacífico Sudoeste e Índico Sudeste
Tempestade ciclónica severa – Índico Norte
Ciclone tropical – Índico Sudoeste
terça-feira, 17 de novembro de 2009
(5) Minas anti-pessoal versus minas pessoais
Já vi na sua revista referências indiscriminadas a minas terrestres, minas pessoais e minas anti-pessoal. Na imprensa escrita, aparece também minas antipessoais. Qual vale?
Respondemos com apoio do leitor José João Roseira Coelho, ex-oficial sapador do exército português, que nos remeteu uma exposição sobre o tema.
De acordo com o Manual de Minas e Armadilhas da Direcção da Arma de Engenharia (1965), uma mina é um engenho constituído por um explosivo ou outra substância, contido num recipiente adequado destinado a destruir ou avariar viaturas, barcos ou aviões ou a matar, ferir ou incapacitar pessoal.
Na tipologia das minas, temos:
- Minas anti-carro – destinadas a destruir ou avariar carros de combate.
- Minas anti-viatura – destinadas a destruir ou avariar outros veículos terrestres.
- Minas anti-anfíbios – destinadas a impedir operações de desembarque.
- Minas anti-aerotransportados – destinadas a evitar ou impedir o desembarque de aerotransportados.
- Minas anti-pessoal – destinadas a matar, ferir ou incapacitar pessoal. São as minas de sopro, de fragmentação, de salto e fragmentação ou de fragmentação dirigida, correspondentes às Anti-personnel landmines (ing.), Minas antipersonal ou às minas contra personal (castelhano).
Todas elas podem ainda ser:
- Minas improvisadas – construídas com materiais disponíveis.
- Minas inertes – cópias exactas de minas de série usadas para fins de instrução.
- Minas simuladas – destinadas à montagem de campos de minas simulados.
- Minas de prática – para uso em treinos, produzindo fumos ou ruído quando accionadas.
Como se pode concluir, ao contrário do que se passa com uma arma pessoal (individual weapon), as minas não têm nada de pessoal. Nem são de uso individual nem se destinam a atingir um único indivíduo. Em minha opinião, é um enorme absurdo falar em minas pessoais!
Pegou, há uns anos, a moda de dizer, como plural de mina anti-pessoal, minas anti-pessoais! Apesar de muitas polémicas sobre o assunto, parece-me não haver motivos para duvidar de que o plural deve ser minas anti-pessoal. Do mesmo modo, não passa pela cabeça de ninguém dizer que o plural de repartição de pessoal é repartições de pessoais. (Neste caso, pessoal é um substantivo colectivo e não um adjectivo no singular/plural). A língua portuguesa está cheia de... armadilhas, mas a ignorância, por vezes, faz mais estragos do que muitas minas anti-pessoal!
Respondemos com apoio do leitor José João Roseira Coelho, ex-oficial sapador do exército português, que nos remeteu uma exposição sobre o tema.
De acordo com o Manual de Minas e Armadilhas da Direcção da Arma de Engenharia (1965), uma mina é um engenho constituído por um explosivo ou outra substância, contido num recipiente adequado destinado a destruir ou avariar viaturas, barcos ou aviões ou a matar, ferir ou incapacitar pessoal.
Na tipologia das minas, temos:
- Minas anti-carro – destinadas a destruir ou avariar carros de combate.
- Minas anti-viatura – destinadas a destruir ou avariar outros veículos terrestres.
- Minas anti-anfíbios – destinadas a impedir operações de desembarque.
- Minas anti-aerotransportados – destinadas a evitar ou impedir o desembarque de aerotransportados.
- Minas anti-pessoal – destinadas a matar, ferir ou incapacitar pessoal. São as minas de sopro, de fragmentação, de salto e fragmentação ou de fragmentação dirigida, correspondentes às Anti-personnel landmines (ing.), Minas antipersonal ou às minas contra personal (castelhano).
Todas elas podem ainda ser:
- Minas improvisadas – construídas com materiais disponíveis.
- Minas inertes – cópias exactas de minas de série usadas para fins de instrução.
- Minas simuladas – destinadas à montagem de campos de minas simulados.
- Minas de prática – para uso em treinos, produzindo fumos ou ruído quando accionadas.
Como se pode concluir, ao contrário do que se passa com uma arma pessoal (individual weapon), as minas não têm nada de pessoal. Nem são de uso individual nem se destinam a atingir um único indivíduo. Em minha opinião, é um enorme absurdo falar em minas pessoais!
Pegou, há uns anos, a moda de dizer, como plural de mina anti-pessoal, minas anti-pessoais! Apesar de muitas polémicas sobre o assunto, parece-me não haver motivos para duvidar de que o plural deve ser minas anti-pessoal. Do mesmo modo, não passa pela cabeça de ninguém dizer que o plural de repartição de pessoal é repartições de pessoais. (Neste caso, pessoal é um substantivo colectivo e não um adjectivo no singular/plural). A língua portuguesa está cheia de... armadilhas, mas a ignorância, por vezes, faz mais estragos do que muitas minas anti-pessoal!
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