Em geologia, o que é um cratão ["craton", em inglês]?
Um cratão [do grego Krátos, ou sólido] é um pedaço de crosta terrestre relativamente estável que forma o núcleo de um continente ou a base de um oceano. É, por definição, demasiado espesso para ser dividido por qualquer processo de rifting. Um dos mais famosos é o cratão da Tanzânia, no grande vale do rifte.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
(14) Mesas
Voltei há pouco da região do Colorado, nos EUA, onde fiquei intrigado com a profusão de "mesas" na geografia local. O que são e a que devem o nome?
A palavra está de facto registada na maior parte dos glossários geológicos, mas a sua aplicação neste contexto parece ter tido origem espanhola e não portuguesa. De todo o modo, "mesa" é utilizada em ambas as línguas.
Em geologia, a mesa é um pequeno planalto, com uma ou mais faces íngremes, mas cujo topo é plano, como o tampo de uma mesa. Formada por erosão, costuma constituir as áreas de rochas mais firmes de um planato, ou seja, aquelas que resistem melhor à força dos elementos.
A palavra está de facto registada na maior parte dos glossários geológicos, mas a sua aplicação neste contexto parece ter tido origem espanhola e não portuguesa. De todo o modo, "mesa" é utilizada em ambas as línguas.
Em geologia, a mesa é um pequeno planalto, com uma ou mais faces íngremes, mas cujo topo é plano, como o tampo de uma mesa. Formada por erosão, costuma constituir as áreas de rochas mais firmes de um planato, ou seja, aquelas que resistem melhor à força dos elementos.
(13) Astronautas, cosmonautas e taikonautas
Como se chamam os astronautas oriundos da China?
A aventura chinesa no espaço é muito recente. O país teve de esperar até 2008 para ver dois chineses caminharem no espaço. O governo chinês tem procurado impor a nomenclatura "yuhangyuans", traduzível como "navegadores do espaço", mas a maior parte das publicações de astronomia tem utilizado a expressão "taikonautas" para os designar.
Esta última deriva do prefixo "taikong", que significa "espaço".
Convencionou-se também que os exploradores do espaço oriundos dos EUA seriam conhecidos como "astronautas" e os da URSS (e mais tarde da Rússia) seriam designados como "cosmonautas". "Astronauta" deriva do grego e poderia ser traduzido como "navegador das estrelas", ao passo que os "cosmonautas" seriam os "navegadores do universo".
Sempre ciosos do seu quinhão, os francês têm procurado propor o termo "espacionauta" para os seus exploradores, mas sem sucesso. E há ainda um movimento – até à data não incorporado no livro de estilo da revista – que pretende distinguir os exploradores treinados por governos dos indivíduos que integram voos comerciais ao espaço. Esses últimos seriam conhecidos como "participantes em voos espaciais", segundo a NASA e a Agência Espacial Russa.
A aventura chinesa no espaço é muito recente. O país teve de esperar até 2008 para ver dois chineses caminharem no espaço. O governo chinês tem procurado impor a nomenclatura "yuhangyuans", traduzível como "navegadores do espaço", mas a maior parte das publicações de astronomia tem utilizado a expressão "taikonautas" para os designar.
Esta última deriva do prefixo "taikong", que significa "espaço".
Convencionou-se também que os exploradores do espaço oriundos dos EUA seriam conhecidos como "astronautas" e os da URSS (e mais tarde da Rússia) seriam designados como "cosmonautas". "Astronauta" deriva do grego e poderia ser traduzido como "navegador das estrelas", ao passo que os "cosmonautas" seriam os "navegadores do universo".
Sempre ciosos do seu quinhão, os francês têm procurado propor o termo "espacionauta" para os seus exploradores, mas sem sucesso. E há ainda um movimento – até à data não incorporado no livro de estilo da revista – que pretende distinguir os exploradores treinados por governos dos indivíduos que integram voos comerciais ao espaço. Esses últimos seriam conhecidos como "participantes em voos espaciais", segundo a NASA e a Agência Espacial Russa.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
(12) Peru e Turquia?
Os ingleses chamam Turquia à ave que nós tratamos por peru, o nome de outro país? Como se explicam esses nomes tão diferentes?
Socorremo-nos da pesquisa de Matthew Shirts, jornalista norte-americano radicado há várias décadas no Brasil, director da edição brasileira da National Geographic e autor do excelente “O Jeitinho Americano” (Realejo, 2010. Pg. 153-155). O peru é uma ave das Américas, domesticada provavelmente pelos aztecas e trazida para a Europa pelos conquistadores espanhóis. Durante o período colonial do Brasil, ela era conhecida como galinha do Peru por ser oriunda deste país sul-americano. Por simplificação, foi ficando conhecida apenas como peru.
Em contrapartida, os ingleses só tinham acesso à ave através dos comerciantes do Mediterrâneo Oriental. Rapidamente ganhou o nome vernacular de galinha da Turquia por ser essa a nacionalidade dos seus mercadores. Por simplificação também, ali ficou celebrizada como “turkey”. Curiosamente, na Índia, mais próxima da Turquia, ela é igualmente conhecida como “peru”, provavelmente por efeito da convivência cultural com os portugueses. Charles Dickens terá dado o golpe final na celebrização da ave, ao incluí-la como iguaria principal dos seus contos de Natal.
Socorremo-nos da pesquisa de Matthew Shirts, jornalista norte-americano radicado há várias décadas no Brasil, director da edição brasileira da National Geographic e autor do excelente “O Jeitinho Americano” (Realejo, 2010. Pg. 153-155). O peru é uma ave das Américas, domesticada provavelmente pelos aztecas e trazida para a Europa pelos conquistadores espanhóis. Durante o período colonial do Brasil, ela era conhecida como galinha do Peru por ser oriunda deste país sul-americano. Por simplificação, foi ficando conhecida apenas como peru.
Em contrapartida, os ingleses só tinham acesso à ave através dos comerciantes do Mediterrâneo Oriental. Rapidamente ganhou o nome vernacular de galinha da Turquia por ser essa a nacionalidade dos seus mercadores. Por simplificação também, ali ficou celebrizada como “turkey”. Curiosamente, na Índia, mais próxima da Turquia, ela é igualmente conhecida como “peru”, provavelmente por efeito da convivência cultural com os portugueses. Charles Dickens terá dado o golpe final na celebrização da ave, ao incluí-la como iguaria principal dos seus contos de Natal.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
(11) Quilo ou quilograma?
Pode ser adoptada a versão simplificada “quilo” para a unidade correspondente a 1000 gramas?
Responde Isabel Spohr, do Instituto Português da Qualidade (IPQ), responsável pela área da Metrologia no domínio da Massa e Grandezas Derivadas. Recorde-se que o IPQ enquanto Instituição Nacional de Metrologia, através da Unidade de Metrologia Científica e Aplicada – LCM, garante o rigor e a exactidão das medições realizadas, assegurando a sua comparabilidade e rastreabilidade, a nível nacional e internacional, e a realização, manutenção e desenvolvimento dos padrões das unidades de medida:
“É utilizada [nos meios de comunicação] diversas vezes a palavra “quilo” em vez de quilograma. O que está errado, pois a unidade SI (do Sistema Internacional) da grandeza massa é o quilograma. Embora no dia a dia na mercearia se fale em “quilo”… quilo é apenas um prefixo (de entre outros como Mega, Giga, etc.) utilizado como múltiplo de unidades SI. A unidade de massa é a única cujo nome, por razões históricas, contém um prefixo.”
Recorde-se que o quilograma corresponde à massa de um protótipo internacional – um cilindro – guardado no Gabinete Internacional de Pesos e Medidas (BIPM, na sigla internacional).
Responde Isabel Spohr, do Instituto Português da Qualidade (IPQ), responsável pela área da Metrologia no domínio da Massa e Grandezas Derivadas. Recorde-se que o IPQ enquanto Instituição Nacional de Metrologia, através da Unidade de Metrologia Científica e Aplicada – LCM, garante o rigor e a exactidão das medições realizadas, assegurando a sua comparabilidade e rastreabilidade, a nível nacional e internacional, e a realização, manutenção e desenvolvimento dos padrões das unidades de medida:
“É utilizada [nos meios de comunicação] diversas vezes a palavra “quilo” em vez de quilograma. O que está errado, pois a unidade SI (do Sistema Internacional) da grandeza massa é o quilograma. Embora no dia a dia na mercearia se fale em “quilo”… quilo é apenas um prefixo (de entre outros como Mega, Giga, etc.) utilizado como múltiplo de unidades SI. A unidade de massa é a única cujo nome, por razões históricas, contém um prefixo.”
Recorde-se que o quilograma corresponde à massa de um protótipo internacional – um cilindro – guardado no Gabinete Internacional de Pesos e Medidas (BIPM, na sigla internacional).
(10) Buçaco e Bussaco
Qual é a designação correcta: Bussaco ou Buçaco?
Embora ambas sejam aceitáveis e estejam expressas em painéis informativos oficiais ao longo da subida em direcção ao Palácio, a mais correcta é Buçaco. É a fórmula utilizada por exemplo no Decreto-Lei n.º 120/2009, de 19 de Maio, que constituiu a Fundação Mata do Buçaco, a entidade que gere agora a mata e os monumentos ali inseridos. A explicação para as duas grafias é bastante prosaica. A maioria das línguas dos turistas que visitam o local não tem o "c" cedilhado, pelo que estes seriam tentados a ler o nome da região como "Bu-Ca-Co". Convencionou-se então que, para facilitar a dicção, se aceitaria também a grafia "Bussaco", essa sim, inconfundível e lida de maneira uniforme em português, inglês, espanhol ou francês.
Embora ambas sejam aceitáveis e estejam expressas em painéis informativos oficiais ao longo da subida em direcção ao Palácio, a mais correcta é Buçaco. É a fórmula utilizada por exemplo no Decreto-Lei n.º 120/2009, de 19 de Maio, que constituiu a Fundação Mata do Buçaco, a entidade que gere agora a mata e os monumentos ali inseridos. A explicação para as duas grafias é bastante prosaica. A maioria das línguas dos turistas que visitam o local não tem o "c" cedilhado, pelo que estes seriam tentados a ler o nome da região como "Bu-Ca-Co". Convencionou-se então que, para facilitar a dicção, se aceitaria também a grafia "Bussaco", essa sim, inconfundível e lida de maneira uniforme em português, inglês, espanhol ou francês.
(9) Rei dos belgas ou rei da Bélgica?
Qual é a designação correcta para o monarca belga: rei da Bélgica ou rei dos belgas?
A designação correcta é “rei dos belgas” na medida em que a monarquia daquele país está vinculada aos cidadãos e não ao território ou estado. Desta forma, o monarca belga tem jurisdição constitucional sobre a população mas não sobre o território. No tempo colonial, a Bélgica colocou em prática uma especificidade curiosa, na medida em que Leopoldo II foi rei dos belgas, mas também rei do Congo, assumindo aí jurisdição sobre o território africano.
O historiador Bernardo Sá Nogueira lembra que se trata de uma circunstância semelhante à que ocorria na primeira dinastia da monarquia portuguesa. D. Afonso Henriques e D. Sancho I foram “reis dos portugueses”, sem poder sobre o território, mas D. Afonso II começou a intitular-se “rei de Portugal”, nomenclatura que perdurou.
A designação correcta é “rei dos belgas” na medida em que a monarquia daquele país está vinculada aos cidadãos e não ao território ou estado. Desta forma, o monarca belga tem jurisdição constitucional sobre a população mas não sobre o território. No tempo colonial, a Bélgica colocou em prática uma especificidade curiosa, na medida em que Leopoldo II foi rei dos belgas, mas também rei do Congo, assumindo aí jurisdição sobre o território africano.
O historiador Bernardo Sá Nogueira lembra que se trata de uma circunstância semelhante à que ocorria na primeira dinastia da monarquia portuguesa. D. Afonso Henriques e D. Sancho I foram “reis dos portugueses”, sem poder sobre o território, mas D. Afonso II começou a intitular-se “rei de Portugal”, nomenclatura que perdurou.
(8) Silicone e silício
Tenho visto a palavra “silicon” aplicada à informática traduzida como “silicone” e como “silício”. Qual é a correcta?
A tradução de “silicon” por “silicone” tem sido um erro comum na imprensa – cometido também pela edição portuguesa da National Geographic. – só justificado pela proximidade gráfica das palavras, mas a versão correcta é de facto “silício”.
O silício é um elemento químico. Aliás, é o segundo mais abundante na crosta terrestre. Foi obtido pela primeira vez em 1822 e é muito utilizado em semicondutores.
O silicone é a designação genérica para os polímeros estáveis tanto do ponto de vista térmico como químico. Não há dúvida portanto de que o famoso Silicon Valley da Califórnia deverá sempre ser traduzido por Vale do Silício.
A tradução de “silicon” por “silicone” tem sido um erro comum na imprensa – cometido também pela edição portuguesa da National Geographic. – só justificado pela proximidade gráfica das palavras, mas a versão correcta é de facto “silício”.
O silício é um elemento químico. Aliás, é o segundo mais abundante na crosta terrestre. Foi obtido pela primeira vez em 1822 e é muito utilizado em semicondutores.
O silicone é a designação genérica para os polímeros estáveis tanto do ponto de vista térmico como químico. Não há dúvida portanto de que o famoso Silicon Valley da Califórnia deverá sempre ser traduzido por Vale do Silício.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
(7) Pontos nos milhares e milhões
Porque usam pontos a marcar os milhares nos números inteiros?
A Norma Portuguesa n.º 9/2006, do Instituto Português de Qualidade, determina a colocação correcta dos “pontos” e das “vírgulas” nos números inteiros e decimais, corroborando a velhinha Portaria 6409, de 23 de Setembro de 1929.
Não é a primeira vez que leitores da NG nos alertam para a irregularidade em que incorremos quando grafamos números inteiros separando os milhares por “pontos”.
Não se deve o nosso procedimento à ignorância de normas que regem tal matéria. Fazemo-lo deliberadamente, optando por um mal menor que evita males maiores.
Ao colocarmos “pontos” de sinalização dos milhares, o número surge como um todo indissociável que impossibilita fracturas na translineação, o que inevitavelmente aconteceria se existissem espaços de separação. Tal desacerto, além de incorrecto e inestético, revelaria da nossa parte uma flagrante desatenção.
Conquanto a paginação final seja criteriosamente revista, uma simples correcção que julguemos imperativa pode alterar fins de linha que provoquem o descalabro referido. – JLB
A Norma Portuguesa n.º 9/2006, do Instituto Português de Qualidade, determina a colocação correcta dos “pontos” e das “vírgulas” nos números inteiros e decimais, corroborando a velhinha Portaria 6409, de 23 de Setembro de 1929.
Não é a primeira vez que leitores da NG nos alertam para a irregularidade em que incorremos quando grafamos números inteiros separando os milhares por “pontos”.
Não se deve o nosso procedimento à ignorância de normas que regem tal matéria. Fazemo-lo deliberadamente, optando por um mal menor que evita males maiores.
Ao colocarmos “pontos” de sinalização dos milhares, o número surge como um todo indissociável que impossibilita fracturas na translineação, o que inevitavelmente aconteceria se existissem espaços de separação. Tal desacerto, além de incorrecto e inestético, revelaria da nossa parte uma flagrante desatenção.
Conquanto a paginação final seja criteriosamente revista, uma simples correcção que julguemos imperativa pode alterar fins de linha que provoquem o descalabro referido. – JLB
segunda-feira, 3 de maio de 2010
(6) Tufão e furacão
Vejo nas notícias referências a "tufões"e "furacões". Qual é a diferença entre ambos?
Ambos os termos referem-se a ciclones tropicais, ou seja, a tempestades provocadas por sistemas de baixa pressão, marcadas por chuvadas e ventos fortes e com origem no oceano. Na tradição portuguesa, seguida igualmente em Espanha, cada um dos termos aplica-se de acordo com a região oceanográfica em que os fenómenos têm lugar. O "tufão" é o ciclone tropical que tem lugar no oceano Pacífico e a palavra terá tido origem num monstro da mitologia grega capaz de gerar ventos quentes. O "furacão" é o termo utilizado para os ciclones tropicais do oceano Atlântico. O termo será um aportuguesamento de Huracán, uma divindade das culturas meso-americanas.
A revista segue esta norma genérica, embora alguns especialistas entendam que pode existir uma especificação mais precisa dos fenómenos, consoante a sua localização. Ao abrigo dessa nomenclatura, teríamos então:
Furacão – Atlântico Norte, Pacífico Nordeste e Pacífico Sul
Tufão – Pacífico Noroeste
Ciclone tropical severo – Pacífico Sudoeste e Índico Sudeste
Tempestade ciclónica severa – Índico Norte
Ciclone tropical – Índico Sudoeste
Ambos os termos referem-se a ciclones tropicais, ou seja, a tempestades provocadas por sistemas de baixa pressão, marcadas por chuvadas e ventos fortes e com origem no oceano. Na tradição portuguesa, seguida igualmente em Espanha, cada um dos termos aplica-se de acordo com a região oceanográfica em que os fenómenos têm lugar. O "tufão" é o ciclone tropical que tem lugar no oceano Pacífico e a palavra terá tido origem num monstro da mitologia grega capaz de gerar ventos quentes. O "furacão" é o termo utilizado para os ciclones tropicais do oceano Atlântico. O termo será um aportuguesamento de Huracán, uma divindade das culturas meso-americanas.
A revista segue esta norma genérica, embora alguns especialistas entendam que pode existir uma especificação mais precisa dos fenómenos, consoante a sua localização. Ao abrigo dessa nomenclatura, teríamos então:
Furacão – Atlântico Norte, Pacífico Nordeste e Pacífico Sul
Tufão – Pacífico Noroeste
Ciclone tropical severo – Pacífico Sudoeste e Índico Sudeste
Tempestade ciclónica severa – Índico Norte
Ciclone tropical – Índico Sudoeste
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